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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

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Trânsito - Violência no trânsito, quando governos são omissos.

Por: David Duarte Lima  / Correio Braziliense - 11/08/2013
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Imagem: Reprodução

Doutor em segurança de trânsito, é professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília e presidente do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito (IST).

Imagem: Pacto nacional pela
Redução de acidente
Preocupado com índices econômicos, superavit primário, taxas de juros e metas de inflação, o governo brasileiro parece não perceber a tragédiaque impera nas nossas ruas e estradas. A mortandade no trânsito não sensibiliza. São chamados “acidentes”, como se fossem fruto do acaso. Geralmente o governo põe a culpa na vítima imprudente ou no condutor irresponsável, eximindo-se de suas obrigações na segurança viária. Sem qualquer programa de combate à epidemia, conivente com a calamidade, assiste impávido o crescimento galopante dos desastres.

Não é assim em outros países, que valorizam a vida e marcham no sentido inverso. Nos Estados Unidos, o número de mortes no trânsito em 2012 foi menor que em 1949; no ano passado, a Bélgica teve o menor número de mortos no trânsito de sua história; em oito anos, a Espanha reduziu as
estatísticas da tragédia em 60%.

Esses países investem na engenharia viária e automotiva, promovem o respeito aos mais vulneráveis por meio da educação de trânsito, utilizam tecnologia avançada para fiscalizar e evitar conflitos no trânsito e aplicam duramente a lei aos infratores. Cada “acidente” é exaustivamente estudado, tomam-se medidas para que eventos similares não se repitam. Os profissionais de trânsito têm formação técnica apurada, há um “plano estratégico” para consecução dos objetivos de redução da violência no trânsito.



Imagem: Reprodução
Entre os programas de segurança de trânsito, o Visão Zero é o mais arrojado. Ele começou na Suécia, em 1997, com o objetivo de zerar as mortes e os ferimentos graves no trânsito. O principal pilar do programa é que a vida e a saúde são os bens mais valiosos de uma sociedade e nunca podem ser negociados ou preteridos para se atingir necessidades econômicas ou sociais. A vida humana e a saúde têm prioridade sobre a mobilidade, a fluidez e quaisquer outras necessidades do tráfego. O trânsito é considerado como um sistema em que a responsabilidade pela segurança deve ser compartilhada entre todos.

No Brasil, vamos de mal a pior. Quase duas décadas depois da promulgação, o Código de Trânsito Brasileiro é ignorado e desrespeitado pelo governo e pelos cidadãos. As consequências não poderiam ser piores. O DPVAT pagou 60 mil indenizações por morte e 350 mil por invalidez permanente no ano passado. Os dados mais recentes mostram um avanço anual de 6% nas mortes e de 47% nas indenizações por invalidez permanente. Nos últimos 10 anos, morreram quase meio milhão de pessoas no trânsito brasileiro e 10 milhões foram feridas. Dessas, 3 milhões ficaram com lesões irreversíveis, grande parte estão hoje em cadeiras de rodas. A maioria era jovem, gozava de plena saúde.

Imagem: Governo Federal
Não podemos continuar assim. Temos de mudar. Estabelecidas por quem tem o dever legal de cuidar do trânsito - o governo -, medidas simples podem reduzir substancialmente o número de mortos e feridos. Podemos começar com um programa de cinco pontos e mudar o quadro:
  1. O governo federal deve liderar os governos estaduais e municipais nas medidas de redução das mortes e feridos graves no trânsito. A sociedade deve participar e ser corresponsável;
  2. Promover estudos para entender o fenômeno, saber quais fatores estão presentes nas colisões, que circunstâncias são “acidentógenas”. Um diagnóstico benfeito é garantia de tratamento eficaz;
  3. Promover o investimento na formação de especialistas em segurança de trânsito. Eles serão os “médicos” para combater a epidemia;
  4. Incentivar boas práticas consagradas em todo mundo: uso do cinto de segurança, moderação da velocidade em áreas urbanas, combate ao álcool e ao uso do celular ao volante, cuidados com itens de segurança dos veículos, dar instruções de segurança aos pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas;
  5. Estabelecer metas claras e plausíveis. Avaliar permanentemente as ações.
Imagem: Reprodução
 Sem computar a dor das família e o sofrimento das vítimas, os desastres no trânsito custam à sociedade R$ 50 bilhões por ano. Em quatro anos, aplicando 1% desse valor na segurança de trânsito é possível reduzir em 40% o número de mortos e feridos graves, poupando R$ 20 bilhões. Não há investimento melhor. Poderíamos começar com os R$ 3 bilhões que o Denatran tem hoje em caixa. Antes que eles se transformem em superavit primário.

Publicado originalmente em Clipping Seleção de Notícias

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