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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

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Pedestres e motoristas em rota de colisão na nossa cidade!

Por Márcia Pontes
Educadora de Trânsito 


Bom dia, leitores do blog. Satisfação imensa em poder colaborar de alguma forma comentando e formando opinião junto com vocês sobre os principais assuntos relacionados ao trânsito da nossa cidade. 

Fiquem à vontade para comentar e exporem seus pontos de vista.

São 229 atropelamentos desde o primeiro dia do ano até o momento em que comecei a escrever esse artigo. Ou seja, são 229 vidas humanas, pessoas que estavam circulando em algum ponto da cidade e entraram em rota de colisão com algum tipo de veículo.
Foto: Jornal de Santa Catarina
Entre 2003 e 2011 Blumenau gastou 1,7 bilhão custeando atendimento de acidentes de trânsito, e quanto gastamos em prevenção? Em ações educativas e preventivas para evitar os atropelamentos e outros tipos de acidentes? 

Quer dizer que para investirem prevenção não sobra nada, mas para recolher os corpos das vítimas que seguem para o hospital ou para a funerária tem?

Muitos morreram nesses atropelamentos e, de quem ficou, muitos se tornaram ou se tornarão usuários de serviços específicos do sistema público de saúde para tratamentos longos e prolongados que vão desde múltiplas cirurgias, curativos, fisioterapia, reabilitação, atendimento psicológico, colocação de órteses e próteses ou mesmo recebimento de outros benefícios como fraldas para adultos, atendimento domiciliar, dentre outros. Esses custos não estão incluídos nos R$1,7 bilhão, viu gente!

Trabalhei durante 1 ano no Ambulatório Geral da Velha e diariamente convivia com pacientes acidentados de trânsito. Um dos casos mais emblemáticos foi o de um rapaz atropelado em cima da faixa por uma motocicleta e que para o resto da vida vai levar essas marcas no corpo e na alma.
Ia completar 1 ano do acidente e esse rapaz ainda tem fraturas pelo corpo, acreditam?

Também conheço um senhor de quase 60 anos que vive hoje em estado vegetativo depois de ser atropelado por um ônibus e bater fortemente a cabeça no parabrisas.

Quando se fala em acidente de trânsito, sobretudo atropelamentos, a memória fica curta, as pessoas só lembram do momento do acidente. Choca quem passou pelo local e viu a cena ou quem é parente, amigo, vizinho do acidentado. 

Quem convive com o acidentado de trânsito no dia a dia, quem dá comida na boca, quem troca as fraldas, quem faz a higiene pessoal como se fosse a de um bebê, esse sim, sofre na pele as consequências de um atropelamento.

Esquecem-se de contabilizar o custo social dos acidentes, mas também o custo para o município.

Em audiência, em uma reunião de trabalho semana passada na Assembléia Legislativa de Santa Catarina (ALESC) fui pedir socorro e ao apresentar alguns números sobre o que Blumenau gastou em atendimentos a acidentes de trânsito entre 2003 e 2011. Os parlamentares ficaram assustados. Afinal, estávamos falando de um valor parecido com aquele pago em prêmios de loteria: R$ 1,7 bilhão. 

Essa soma bilionária que sai dos cofres de Blumenau e, consequentemente, do bolso dos blumenauenses, à época, dava para renovar a frota de transporte coletivo da cidade em 6.662 ônibus ou construir 1.765 Centros de Educação Infantil (CEIs).

Fico pensando a quem realmente preocupa essa situação e, se preocupa tanto, porquê não fazem nada para mudar?

É muito fácil enxugarem gelo e dizer que a culpa é do pedestre que se atira sobre a faixa ou do motorista mal educado que não respeita o pedestre. Mas, será que o poder público está fazendo mesmo a sua parte, está cumprindo com aquilo que deve fazer enquanto órgão executivo de trânsito?
Vão esperar que se conscientizem de uma hora para outra?

Blitz resolve na hora, multa "conscientiza" na hora em que se mexe no bolso, mas e a ação estrutural, preventiva, combinada as ações de fiscalização?

Dizem que campanha de trânsito não resolve nada, mas todo mundo cobra quando ela não existe.

Para neutralizar aquele discurso antigo de que falta dinheiro, de que não se faz nada sem dinheiro, cabe lembrar que o município tem sim uma estrutura que se fosse bem articulada para um trabalho integrado, sistêmico, poderia ser bem aproveitada.

Estamos falando de milhões de reais em verbas federais paradas no Ministério das Cidades por falta de bons projetos para o trânsito e a mobilidade urbana, e acima de tudo humana, nas cidades.

Estamos falando de uma política pública séria para o trânsito, que mobilize parcerias, secretarias de governo, profissionais que já estão na prefeitura, lideranças comunitárias, CONSEG’s, associações de moradores, terceiro setor, sociedade organizada, mídia para ajudar a transmitir as mensagens educativas de trânsito.

Estamos falando de muitos profissionais sérios, dispostos a se engajar nesse processo, mas que ainda não se manifestaram porque não viram iniciativa!

E para quem se arrisca a dizer que sou mais uma corneteira em meio a tantos ou que sou da turma do contra, digo que sou apenas uma cidadã blumenauense que não se conforma com essa anodinia que se instala, com esse “lascia stare” ou deixa estar enquanto centenas de vidas são atropeladas no trânsito de Blumenau diariamente.

Na minha condição de cidadã e de educadora de trânsito estou fazendo a minha parte, começando por não me conformar. 

Será que Blumenau está fazendo mesmo a sua parte como município integrado ao Sistema Nacional de Trânsito no que tange às ações educativas e preventivas de acidentes?

Se existem dificuldades, por favor, nos informem, nos digam claramente quais são porque não temos informações claras sobre isso.

O que nos impede de iniciarmos um programa-compromisso de Humanização do Trânsito em nível de gestão, estrutural, nessa cidade além da falta de dinheiro?

 Anunciaram as lombadas eletrônicas para o ano que vem, mas nesse "pacote" não se mencionou nada em ações educativas e preventivas que incluam os estímulos adequados e a abordagem com a população não escolar. 

Lembrando que os 4 pilares do trânsito seguro são: engenharia/ergonomia, fiscalização, educação e ações preventivas, e aprendizagem de comportamentos seguros e defensivos no trânsito.

Por favor, precisamos mais do que contar os mortos e feridos!

5 comentários:

  1. Fatos alarmantes que pouca ou nenhuma importância é dada. Preocupante.

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  2. Enquanto não se tiver uma política pública voltada para o trânsito, enquanto as pessoas fora da faixa escolar não forem incluídas nas ações estratégicas voltadas para a engenharia, fiscalização e educação para o trânsito, a situação tende a não se resolver. Infelizmente!

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  3. Nos países civilizados as pessoas tem sempre prioridade de direito aos espaços públicos. São crianças, idosos, e deficientes que como pessoas vieram ao mundo antes dos automóveis, e não podem ser obrigadas a terem uma "educação para o trânsito" sob pena de serem ameaçadas pelos automóveis. Acho que são os motoristas que sempre deveriam ser obrigados a respeitar a vida das pessoas em qualquer circunstância.

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    1. Sim "Anônimo", porém, o trânsito abrange todos que usam vias públicas ou não.

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  4. Olá anônimo, tudo bem? Muito obrigada pelos comentários. Pois é.... o trânsito é um espaço compartilhado, feito por vidas humanas sobre rodas ou não. penso que todas as pessoas deveriam ter autocuidados e respeitar a própria vida e a dos outros. É fato que os motoristas tem parcela de irresponsabilidade porque cometem imperícias, imprudências e negligências, mas tem muito pedestre que se atira na frente dos carros em cima ou fora da faixa e não cumprem com o que lhes cobra o art. 69 do CTB, sobre calcular a distância e a velocidade dos carros, não atravessar fora da faixa, etc. No trânsito temos que cuidar sempre de nós mesmos e dos outros.

    Art. 69 CTB: Para cruzar a pista de rolamento o pedestre tomará precauções de segurança, levando em conta, principalmente, a visibilidade, a distancia e a velocidade dos veículos, utilizando sempre as faixas ou passagens a ele destinadas sempre que estas existirem numa distancia de até cinquenta metros dele, observadas as seguintes disposições:
    I – onde não houver faixa ou passagem, o cruzamento da via deverá ser feito em sentido perpendicular ao de seu eixo;
    II – para atravessar uma passagem sinalizada para pedestres ou delimitada por marcas sobre a pista:

    Onde houver foco de pedestres, obedecer às indicações das luzes;
    Onde não houver foco de pedestres, aguardar que o semáforo ou o agente de transito interrompa o fluxo de veículos;

    III – nas intersecções e em suas proximidades, onde não existam faixas de travessia, os pedestres devem atravessar à via na continuação da calçada, observadas as seguintes normas:
    a) não deverão adentrar na pista sem antes se certificar de que podem fazê-lo sem obstruir o trânsito de veículos.

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