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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

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Trânsito - Campanhas educativas e preventivas de atropelamentos em Blumenau: alguém sabe o que é isso?

Por Márcia Pontes
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Já são 250 atropelamentos pelas ruas de Blumenau desde o primeiro dia de 2013 até o dia 27 de novembro. Muitos deles, em cima da faixa de pedestres. Já tivemos mortes também por atropelamento enquanto o pedestre atravessava em cima da faixa de segurança.
Imagem: Reprodução
Crianças atropeladas no caminho ou em frente a escola também virarem estatísticas embora todo mundo saiba que nestes locais a velocidade deve ser reduzida, existe placa de advertência e faixa de pedestres.

No bairro da Velha, onde moro, tivemos mortes que poderiam ser evitadas.

Mas, o que chama à atenção é que o poder público de Blumenau investe somente nas orientações aos escolares. Não temos e nunca tivemos uma campanha educativa e preventiva de atropelamentos na nossa cidade que envolvesse a população de verdade. Em 2008 de forma muito branda veiculou-se um filme de 30 segundos em que o pedestre era aconselhado a atravessar na faixa para não dar zebra. E só.

E porquê não funcionou? Por quê esse tipo de mensagem sozinha e descontextualizada de outras ações integradas não dão resultados. Para quem acha que a campanha funcionou, porquê não continuaram com ela? Porquê não melhoraram as estratégias e não deram continuidade?

Imagem: Reprodução
Uma coisa que eu digo e repito: não adianta só investir em ensinar as crianças na escola a atravessar a rua com segurança se os pais e a população em geral não forem envolvidos em campanhas de massa. Porque o que vai acontecer é que na via pública o pai vai agarrar essa criança pelo braço e sair puxando para atravessar rápido em meio aos carros.

Espera-se com essas campanhas educativas na escola que em respeito ao pedido do filho os pais passem a dirigir e a atravessar a rua com mais cuidado, mas temos que entender que para dar certo temos que incluir a população em geral.

O diferencial mesmo é o modo como os gestores e as autoridades de trânsito tratam o problema deixando a população não escolar de fora de suas estratégias de sensibilização.

Imagem: Reprodução
Temos exemplos em outras cidades com população bem menor que a de Blumenau que investem em campanhas educativas e preventivas praticamente permanentes. Há cidades que tem políticas públicas específicas para o trânsito e que esbanjam em uma coisa que Blumenau não faz: parcerias com a comunidade, com as associações de moradores, com a mídia, com outras lideranças, o que reza toda política pública bem feita.  

Não se consegue melhorar a qualidade de vida da população no trânsito se a população não participa, não é sensibilizada, não é tocada, não é ouvida e nem chamada à parceria, pois é a maior beneficiada.

É incluindo a população em campanhas educativas e preventivas de trânsito, combinadas com ações de engenharia e fiscalização que se pode começar a ter alguma esperança. Mas, parece que Blumenau não reconhece que a sua população de mais de 300 mil habitantes é pedestre acima de tudo e não precisa de estímulos para os autocuidados no trânsito.

Imagem: Reprodução
Entendo que as campanhas educativas e preventivas na escola são um avanço e Blumenau já vem fazendo isso há muito tempo, mas o fato é que os alunos não são os únicos capazes de evitar atropelamentos e outros acidentes. Precisamos atingir, sensibilizar e atuar preventivamente também com os ciclistas, os motoristas de ônibus, os que conduzem veículos de tração humana, animal e com quem está atrás do volante com o pé no acelerador, pois são eles que atropelam a vida no trânsito.

Não é de hoje que precisamos de um programa de humanização do trânsito urgente para Blumenau e que comece por uma campanha pelo fim dos atropelamentos, uma campanha que informe, que esclareça aos pedestres sobre seus direitos e deveres, sobre autocuidados, sobre o resgate de valores de convivência no trânsito.

Há mais ou menos 15 dias venho procurando contato com vítimas e familiares de vítimas de acidentes de trânsito para reativarmos a Associação Blumenauense de Famílias e Vítimas de Trânsito (Abluvita) ou quem sabe até formar outra associação. Mas, parece que as pessoas estão fragilizadas demais ou não estão interessadas em serem orientadas e ajudadas, a receber apoio para recuperar a dignidade e continuar seguindo em frente.

Imagem: Reprodução
O máximo que já se conseguiu foram mobilizações esporádicas, que trancam as ruas e cruzamentos por alguns minutos e depois cai no esquecimento.

Começo a pensar que maior do que a falta de vontade das pessoas em se mobilizarem em torno do assunto de uma forma mais ativa e participativa tem sido a falta de interesse do poder público.

No início do ano fiz alguns contatos e participei de uma reunião com quem cuida do trânsito e das ações educativas de trânsito em Blumenau em que apresentei a sugestão de um plano de humanização.  Fiquei de dar um retorno para apresentar o projeto na íntegra, esperei para ver até onde ia o interesse e nenhum contato até hoje. Vai que não procurei as pessoas certas, não é?

O email enviado para o endereço fornecido pelo prefeito Napoleão Bernardes em sua conta na rede social nunca foi respondido, assim como os outros contatos para uma palestra gratuita educativa e preventiva para evitar atropelamentos de idosos. Com tantos idosos atropelados e se envolvendo em outros acidentes, estamos no final do ano e nada até hoje.

Imagem: Reprodução
Também nunca obtive retorno depois de encaminhar para outra secretaria algumas propostas e encaminhamentos para captação de verba federal que fosse investida em prevenção de acidentes, em promoção da saúde e qualidade de vida no trânsito, mas até hoje...

O fato é enquanto não levarem as ações preventivas e educativas de trânsito a sério pelo poder público ao ponto de incluir a população nessas estratégias continuaremos assim: a engrossar estatísticas e a contar os feridos e os mortos.

Quem e quando se dará o primeiro passo?

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