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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

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Trânsito - Vias públicas como campos de extermínio e a responsabilidade de cada um

Por Márcia Pontes / Educadora de Trânsito
(Clique nas imagens para ampliar e clique em continuar lendo para ler a matéria na íntegra)

Imagem: Reprodução
É claro que ninguém sai de casa com a ideia e o objetivo de atropelar alguém ou ser atropelado. Mas, também sabemos que no trânsito ninguém é santo.

A via pública é um espaço a ser compartilhado por todos e o que se espera é que cada um cuide da vida do outro no trânsito. Mas, como? Se as pessoas não estão tendo e sequer cuidando da própria vida?

Fizemos uma enquete no Todo DiaBlumenau para saber se as pessoas realmente conhecem os seus deveres como pedestres. É claro que todo mundo disse que sim e seria uma maravilha se isso fosse verdade.

Mas, o fato é que são bem poucas as pessoas que sabem se cuidar no trânsito, tanto os pedestres na hora de fazer a travessia na faixa quanto os motoristas ao se aproximarem da faixa.

Imagem: Reprodução
Nesses dias de calor senegalês é comum vermos motoristas passando à toda e acelerando em cima da faixa de pedestres como se não vissem uma mãe com carrinho de bebê aguardando que uma alma generosa sobre rodas faça o que se espera e a permita atravessar.

São idosos, crianças, mães com criança no colo ou qualquer outra pessoa sem distinção que diariamente são ignoradas pelos motoristas na faixa.

Agora me digam, leitores: se o calor está insuportável para quem está dentro do carro, no conforto do ar condicionado e está em vantagem porque vai passar menos tempo em via pública do que um pedestre, o que dizer de quem está a pé debaixo da torreira do sol?
Porquê não fazer o que deve ser feito: sinalizar, parar, ligar o pisca-alerta e dar a vez ao pedestre para a travessia segura na faixa? Porquê prolongar o sofrimento do outro e, em alguns casos, porquê aumentar o sofrimento com um atropelamento?

Porquê certos motoristas se acham melhores e mais importantes do que o outro ao ponto de tentarem justificar a pressa e a distração que os faz sentirem os donos da rua?

Imagem: Reprodução
Aí vem com aquela desculpa, quase sempre esfarrapada, de que não param para o pedestre para evitar colisões traseiras! Ah, que lindo! Acelera na faixa para evitar colisão traseira, mas não se preocupa em evitar o atropelamento e a morte de alguém?

É fato que o risco existe e o CTB até prevê isso ao admitir que o motorista possa passar no sinal amarelo desde que seja única e exclusivamente para evitar uma colisão traseira. Mas, será que isso é justificativa para o injustificável?

O risco de colisão traseira existe para o motorista que não sabe ou ignora como se comunicar com o outro. Ora, se você está dirigindo e percebe pelo retrovisor interno que o apressadinho atrás está muito colado, vai orientar seu modo de dirigir pela ditadura de quem está atrás? Virou refém do outro agora?

É simples: basta manter as luzes de segurança do carro em pleno funcionamento e encostar o pé no pedal de freio para manifestar a sua intenção. O sistema de freios é tão sensível que basta encostar o pé no pedal para que as luzes se acendam e o motorista de trás perceba.

Ele logo vai entender a sua intenção de reduzir seja para uma conversão, seja para manter distância do veículo que vai à sua frente, seja para pedir que o outro respeite a distância de segurança e se afaste, seja para informar que vai parar na faixa para o pedestre.

Mas, é claro que se o distraído der esses toques de advertência em cima da hora e parar de supetão vai acabar provocando um acidente. Tudo é questão de bom senso, de atenção, de atitudes preventivas e defensivas no trânsito. E é justamente esse bom senso que falta a muitos motoristas em Blumenau ou em qualquer lugar do mundo em que se dirige distraído ou fominha pela via pública.

Imagem: Reprodução
Em minha opinião, as autoridades de trânsito nas cidades não estão fazendo a sua parte ou fazendo muito mal feita. Não adianta fazer campanha da faixa com o velho discurso incompleto de que a faixa é do pedestre e acabou! Dessa forma, muitos vão entender que a faixa é deles mesmo e não será de estranhar que a queiram levar para casa!

Pedestre que acredita que a faixa de segurança é dele e o motorista que se vire é aquele que vai atravessar correndo, sem olhar para os lados, sem autocuidados, sem se importar em buscar o contato visual com o motorista para ter certeza que ele vai parar mesmo e evitar o acidente!

Naquelas faixas de pedestre da Rua XV, em frente à Millium, e em muitas outras pela cidade é comum muitos pedestres provocarem o motorista e até fazerem sinais obscenos quando se jogam na frente do carro. Já tivemos uma morte confirmada por causa disso: a pessoa simplesmente se jogou na frente do carro mesmo tendo sido alertada dos perigos.

Se pedestre não faz autoescola e nem se interessa espontaneamente pelo CTB, como ele vai conhecer o art. 69 que trata de suas responsabilidades no trânsito a não ser por um trabalho educativo e preventivo feito pelas autoridades de trânsito da cidade?

Imagem: Reprodução
Todo mundo diz que sabe atravessar a rua, mas não toma precauções de segurança, não leva em conta, principalmente, a visibilidade, a distância e a velocidade dos veículos. Atravessam em diagonal em vez de atravessar em linha reta. Não atravessam em cima da faixa, mas sempre antes ou depois dela. Ignoram aquele bonequinho animado das sinaleiras e se jogam na via mesmo com ele vermelho. Onde não tem faixa não atravessam no prolongamento da calçada. Não adentram na pista sem antes se certificar de que podem fazê-lo sem obstruir o trânsito de veículos e muitos, uma vez iniciada a travessia permanecem mais tempo do que deveriam na pista de rolamento, com a maior calma do mundo, como se estivessem se exibindo ou distraídos com o som da música do fone de ouvido, passando SMS ou falando ao celular. Aí vai dar o quê?

Pois é.... Blumenau vai fazer 164 anos e nunca teve uma política pública para o trânsito. Enquanto as vias públicas vão se tornando campos de extermínio, como cada um está exercendo a sua responsabilidade? Pedestres, motoristas e poder público.

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