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sexta-feira, 21 de março de 2014

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Cultura Popular - Mania de Abrasileirar


Todos sabem que não é de hoje que se costuma abrasileirar tudo que é possível.

Não estou falando do “jeitinho brasileiro” que causa vergonha às pessoas de bom caráter e boa conduta. Mas falo das expressões de um modo geral. Estou me referindo à mania que o brasileiro, de um modo geral, tem de adaptar, dar as características brasileiras às coisas que importa das outras culturas.

Esse movimento é muito comum nas “traduções” dos títulos de filmes e seriados. No abrasileiramento dessas traduções, se tenta contar a história pelo título, e acabamos beirando o ridículo.

No clássico "A Noviça Rebelde", trama na qual a protagonista não lidera uma rebelião no convento, o título original (The Sound of Music) poderia ser traduzido como "O Som da Música”.

Recentemente a trilogia “Se Beber, Não Case” (The Hangover), deixou passar o título de “A Ressaca” que também teria grande apelo comercial. “A Ressaca” foi a tradução utilizada para outro longa hollywoodiano (Hot Tub Time Machine) que na tradução livre deveria ser intitulado algo como "Banheira Máquina do Tempo".

Até o infantil "Putz! A Coisa Tá Feia" (The Ugly Duckling and Me!) quase passou a adotar um palavrão em seu título brasileiro.

No mais recente abrasileiramento de títulos, a Record que comprou os direitos de transmissão na TV aberta do seriado “Breaking Bad”, anunciou seu novo produto como “Breaking Bad – A Química do Mal”, para desespero geral dos fãs.

Quem adapta o nome de filmes e seriados para o mercado brasileiro é o departamento de marketing das distribuidoras. A primeira opção geralmente é a tradução literal. Mas devido ao uso de expressões típicas de cada língua, muitas vezes essa não é a melhor saída. Nesses casos o pessoal do marketing lê a sinopse, assiste ao trailer e, se possível, assiste ao filme antes da estreia. O título então deve se adequar ao gênero (ação, comédia, drama etc.) bem como ao seu público-alvo. Depois as ideias são apresentadas ao departamento comercial e à diretoria, que aprovam ou fazem novas sugestões.

Mas nem só de títulos sofre o abrasileiramento. Outro dia, num supermercado de Blumenau me deparei com uma placa de promoção de MUÇARELA, sendo que desde que me recordo de geralmente se utiliza o termo MUSSARELA. O termo é derivado do italiano MOZZARELA, diminutivo de mozza, que nos dicionários de lá, significa “leite de búfala ou vaca talhado com sp. do fungo denominado Mozze”.

O que poucos sabem, é que de forma geral, existem regras para se abrasileirar os termos importados de línguas estrangeiras, atentadas pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras (VOLP-ABL).

No caso das variantes dos termos originários da língua italiana, os duplos “zês” no português tupiniquim é substituído por “ç”. Assim “CARROZZA” virou “CARROÇA”, “PIAZZA” virou “PRAÇA” e “MOZZARELA” virou “MUÇARELA”. E muçarela é a grafia adotada nos dicionários Aurélio e Aulete. O termo mussarela, portanto, é um erro popular que o uso consagrou.

O que vale nesses casos então é sempre que possível, consultar o Pai dos Burros, o bom e velho dicionários. Ou em tempos que vivemos conectados, vale também a consulta ao Pai dos Burros Modernos, o Google.

Créditos das Imagens:
1ª e 2ª Imagem: Reprodução
3ª Imagem: André Rene Alves

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