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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

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O que os motoristas de Blumenau pensam sobre os guardas de trânsito?

Por Márcia Pontes
Foto: Reprodução
Está aí uma boa pergunta e a sugestão para que se faça uma pesquisa nesse sentido. Por que? Porque os agentes de trânsito, também referidos pela população como guardas, exercem um papel fundamental no dia a dia, seja fiscalizando, orientando o trânsito em horário de pico e participando das ações educativas e preventivas de trânsito, dentre outras. 
 
Mas, embora Blumenau tenha a primeira guarda municipal de trânsito do país, existente desde a década de 1940, mas oficializada somente em 1955, muitos motoristas parecem não ter do que se orgulhar e isso é ruim.
O agente de trânsito é aquele cara que faz falta quando o interesse é do próprio motorista, mas vira desafeto ou persona non grata quando exerce o dever de ofício e autua o infrator. Exemplos?

Basta estar preso no meio do trânsito lento ou parado em alguns pontos da cidade para os motoristas se perguntarem: “Cadê o guarda?”. Se envolveu num acidente de trânsito, ligou para a Guarda Municipal e está demorando? “Mas, que demora desses guardas!”.

Viu motorista estacionado na calçada ou trafegando na ciclofaixa? “Mas, cadê esses guardas que não veem uma coisa dessas?”

Mas, aí, o mesmo motorista que sente a falta do agente de trânsito em situações específicas é o mesmo que vai criticar o efetivo que coloca os cones de manhã cedo na Rua João Pessoa para organizar e tentar dar mais fluidez ao trânsito. E logo vem a pergunta: “Precisa de tanto guarda junto prá colocar meia dúzia de cones no meio da rua?”

Todo motorista sabe que estacionar o veículo numa vaga preferencial ou na vaga destinada à ele em estacionamento rotativo sem o cartão incorre no risco de autuação, mas vai lá, teima, aposta na impunidade, estaciona, é autuado e ainda xinga o guarda.

Há quem relate supostos casos de truculência e cara feia dos agentes, assim como há agentes de trânsito que relatam casos de afronta e desrespeito por parte de motoristas e assim todo mundo segue a vida como se fossem inimigos.

Na década de 1970 o agente de trânsito Luiz Gonzaga, que trabalhava na Praça Ramos de Azevedo, em São Paulo, ficou famoso e eternizou a imagem do guarda cidadão, tratando à todos, motoristas e pedestres, com simpatia, respeito, civilidade e o amor ao próximo. Fez história. A mesma história que vem sendo feita pelo agente de trânsito Jobson Meireles, no Espírito Santo.

Ele aparece num vídeo que circula pelas redes sociais e inclusive foi premiado pela conduta considerada por muitos como exemplar ao orientar condutores e pedestres com simpatia, bom humor e gentileza.

Mas, também está dando o que falar e está sendo criticado e até acusado por alguns de prevaricação pelo fato de não autuar os motoristas que cometem infrações tais como: não usarem o cinto de segurança, motociclista com viseira aberta, motorista que dirige falando ao celular e dirigir sem as duas mãos ao volante.


Como realizo um trabalho de Educação Para o Trânsito online (EPTon) desde 2008, já me deparei com comentários do tipo: “Porquê os guardas de trânsito de Blumenau não são assim? Porquê não seguem o exemplo?”

Mas, também já me deparei com comentários de outros motoristas e até agentes de trânsito considerando a conduta do guarda por deixar de fazer o que deveria ter feito, ou seja, autuar o condutor infrator.

Polêmicas à parte, tem coisas no mesmo vídeo que não levam à interpretação de prevaricação e soam bem simpáticas, tais como orientar o pedestre a atravessar na faixa, orientar o ciclista a desmontar da bike e empurrá-la na travessia da rua, cumprimentar os pedestres e elogiar os motoristas que fazem a coisa certa. Sinceramente, coisas que não costumamos ver nas atitudes dos nossos agentes de trânsito aqui em Blumenau.

Há os que são mais simpáticos, com ares de bonachões quando caminham pela Rua XV e até esboçam um sorriso, mas sempre endereçado aos conhecidos. Sorrir para um pedestre, pedir que ele atravesse na faixa de segurança, orientar o ciclista a desmontar da bike e empurrá-la na travessia isso eu nunca vi. Muito menos naquele trecho em frente ao Shopping Neumarkt, na Rua 7 de Setembro, em que os pedestres insistem em arriscar a vida de forma perigosa em meio aos carros.

Seria interessante aplicar uma pesquisa com a população para saber o que as pessoas, pedestres, ciclistas e motoristas, pensam sobre os agentes e sobre a Guarda Municipal de Trânsito. Tenho certeza que as respostas seriam reveladoras e apontariam necessidades conhecidas e até desconhecidas da população em relação ao trabalho, à postura, à gentileza ou falta dela por parte dos agentes.

O que torna diferenciado o trabalho do agente de trânsito no vídeo que demonstra gentileza não é a prevaricação ou deixar de fazer o que deve ser feito, mas sim, o tratamento humanizado aos pedestres e condutores.

Partindo da ideia de que gentileza gera gentileza em qualquer aspecto da vida e, sobretudo, no trânsito, espera-se que a pessoa que recebeu a gentileza a multiplique. Em sua fala o agente de trânsito do Espírito Santo diz que não é o trânsito que educa as pessoas, mas as pessoas é que levam a gentileza e a educação que tem para o trânsito.

Ao abordar as pessoas com leveza, sem truculência, com dignidade e com respeito sem deixar de fiscalizar e de autuar, o agente de trânsito passa a ser bem visto e bem quisto pela sociedade e consegue obter de pedestres e condutores o feedback, a aproximação necessária para as parcerias em ações educativas e preventivas de trânsito.  Isso, quando o nosso município resolver fazer campanhas educativas e preventivas que envolvam também a população não escolar, é claro.

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