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quarta-feira, 12 de março de 2014

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Sociedade e Política - Gigante inacabado (3): dinheiro público paga 6,2 milhões anuais para saúde dos senadores


Por Luiz Flávio Gomes / Arquivo Jusbrasil
Imagem: Reprodução

Nos países de capitalismo selvagem (extrativista e patrimonialista, como o nosso), que são completamente distintos dos países de capitalismo evoluído e distributivo (Áustria, Austrália, Holanda, Bélgica, Noruega, Dinamarca, Canadá etc.), é o dinheiro público que aberrantemente paga as despesas médicas, incluindo implantação de próteses dentárias com ouro e até sessões de fonoaudiologia (Estadão 9/3/14, p. A4), dos senadores, ex-senadores e seus dependentes. Houve pedido de ressarcimento até de aplicações de Botox, implante hormonal, acupuntura, lentes de contato, tratamento estético (retirada de uma verruga), despesas de frigobar em hospital etc. Vários foram indeferidos. Tudo é pago só com notas fiscais e recibos, sem perícia nos pacientes.

Imagem: Reprodução
Todo brasileiro decente com possibilidades mínimas tem seu plano de saúde. O político não pode fugir desse padrão. Se quer ser decente. Dentre tantos, segue um bom exemplo. Na Suíça os políticos são militantes, não profissionais. Todo político, com raríssimas exceções, continua exercendo sua profissão normalmente (médico, engenheiro, advogado, fazendeiro, administrador de empresas, sindicalista, industrial, comerciante, funcionário público etc.). Ganha jetons (salários) pelas participações em reuniões e deliberações do interesse público. Uma ou duas por semana. O político profissional é fonte de corrupção, de extrativismo, de privilégios e de parasitismo (sugação descarada do dinheiro público até onde for possível). É que o político profissional vive de reeleição. Para não perdê-la, entrega o corpo e a alma para o diabo da corrupção, da extorsão, do clientelismo e do enriquecimento. Ele abandona sua profissão original. Torna-se irreciclável para a vida laboral civil. Porta aberta para a sua “compra”, especialmente pelo poder econômico ou por sindicatos.
Imagem: Reprodução

O político não pode deixar de trabalhar na sua profissão. Isso lhe dá autonomia e menos sujeição à corrupção e ao parasitismo. Assim transmite uma imagem de retidão. É preciso que o político redescubra sua dignidade, mas para isso deve “predicar com o exemplo”. No âmbito moral, só o exemplo “predica” (não as promessas, os discursos, os quais, sem a força da exemplaridade, carecem de convicção).

A figura do político profissional, como bem enfatiza Daniel Ordás (España se merece...), “é um desastre para a sociedade, para a qualidade do seu trabalho assim como para ele mesmo como pessoa. Para a sociedade é ruim porque o político em tempo integral é muito mais caro que um político que tem profissão civil e ganhos com ela; é ruim o político profissional porque isso cria um certo distanciamento entre o povo e ele; é ruim também porque o político profissional é fonte de corrupção”.

Imagem: Reprodução
O político não pode ficar dependente da profissão de político, daí a necessidade de fixação de um limite de tempo (oito anos talvez fosse o ideal) da sua permanência numa determina esfera da política (federal, estadual e municipal). A política não pode ser uma tentação à corrupção, ao enriquecimento ilícito, aos privilégios e ao parasitismo. O político não pode perder seu contato com o mercado laboral nem com sua rede social. Já passou da hora de os jovens brasileiros saírem para as ruas para acabar com o político profissional.

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