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terça-feira, 15 de abril de 2014

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Trânsito - Mortes no trânsito: o dia que nunca termina


Eu gostaria que todos olhassem essa foto. Mas, não olhar por olhar: eu gostaria que enxergassem além do que a retina registra.



A notícia poderia ser o aniversário de 3 meses do bebê de 3 meses. Ou mesmo o aniversário de casamento do Kassius, 32 anos, e da Ângela, 25 anos. Poderia ser um sem fim de notícias felizes, como uma formatura, o convite para a inauguração da casa nova, a cura de uma doença grave que foi superada ou algo assim.

Mas a verdadeira história por trás dessa foto é que essa família foi morta num acidente de trânsito: todos que estão na foto e mais um filho de 3 anos.

O Kassius e a Ângela estavam levando o bebê da foto a uma consulta médica quando trafegavam pela BR-285 e um motorista de caminhão fez uma ultrapassagem proibida. Dirigia pela contramão quando bateu de frente com o veículo da família. Desesperado e encurralado pela imprudência do motorista do caminhão, Kassius ainda tentou frear, desviar, mas não tinha para onde.

A colisão frontal foi inevitável. O Kassius e a Ângela morreram no local e os filhos, de 3 meses e 3 anos, respectivamente, morreram a caminho do hospital.

O motorista do caminhão? Esse escapou ileso fisicamente (moralmente e como ser humano eu não sei) e foi retirado às pressas antes de ser linchado pela população. Não foi preso porque não estava no local e não houve flagrante.

Infelizmente, milhares de famílias choram essa dor e muitas ainda vão chorar porque não conseguem sequer cuidar de suas próprias vidas no trânsito, quem dirá da vida de outras pessoas.

Uma coisa que aprendi com a policial rodoviária Marisa Dreys é que o acidente é a infração que não deu certo. E como dizem os estudiosos do assunto, são 3 falsas certezas incorporadas como sentimentos e que influenciam os códigos de condutas e práticas dos motoristas infratores no trânsito:

  • 1ª excesso de confiança nas habilidades que pensam que tem e que dão a falsa certeza de que podem ter controle sobre tudo no trânsito;
  • 2ª crença na impunidade, que vai virando sentimento, que alimenta a emoção de correr riscos no trânsito e a falsa certeza de que escapará impune;
  • Aquela falsa certeza de que nunca se envolverá num acidente.
O fato é quando estão acelerando, ultrapassando em local proibido ou cometendo qualquer outro atentado à própria segurança e à segurança das outras pessoas no trânsito, os condutores nunca pensam nas consequências.

“Não! Comigo não acontece!”. Ou quem sabe: “aqui é motorista! Tenho braço! Você sabe quanto tempo eu tenho de carteira?”

Só que o que faz o bom motorista não é só o tempo de carteira; não é o fato de ter braço firme para dirigir ou não, e muitos anos de habilitação acabam gerando um perigoso excesso de confiança que faz o motorista se sentir blindado!

Em via pública o foco são os deslocamentos, mas muito dirigem como se incorporassem os pilotos de autódromo ou os personagens de filmes de corrida.

Muitos, só desistem de dirigir perigosa e agressivamente depois que sofrem um acidente. Outros, sequer sobrevivem para mudar suas atitudes no trânsito, coisa que deveriam ter feito pela conscientização pelo tempo em que estiveram vivos.

Mas, o pior de tudo, são famílias inteiras que morrem em acidentes de trânsito todos os dias no nosso país e no mundo.

O pior de tudo é a legião de feridos, amputados e sequelados físicos e neurológicos, muitos, irreconhecíveis depois do acidente.

Mas, se existe algo ainda pior do que tudo isso junto é o ceticismo generalizado de quem só vai mudar de verdade as suas atitudes no trânsito depois de se envolver num acidente ou ficar dependente de remédios controlados pelo resto da vida porque não consegue conviver com a culpa e a desgraça de ter matado pessoas no trânsito.

Infelizmente, a sociedade ainda tem e terá que conviver com isso, com essa forma de violência e egoísmo de muitos motoristas e até pedestres.

A luta vai parecer inglória em alguns momentos e quem sabe, a maior parte do tempo. Mas, não podemos desistir, não podemos cansar, não podemos abandonar a causa humanitária de lutar para preservar a vida de outras pessoas no trânsito.

Não interessa se o governo brasileiro não investe o que deveria em prevenção e educação para o trânsito (isso é só mais uma luta inglória). Não vamos parar por causa disto e será mais uma batalha que temos pela frente.

Não interessa se temos bons guerreiros e multiplicadores se cansando e ficando pelo caminho quando poderiam estar somando e fazendo a diferença conosco.

O que interessa de verdade e o mais importante é que a chama não se apague dentro de cada um de nós e possamos sempre fazer o nosso melhor, de forma individual e coletiva, por um trânsito de paz. Porque a vida do outro tem o mesmo valor que a minha e lutar pela preservação da vida é obrigação de cada um.

Imagens: Reprodução

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