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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

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Humanismo - Comemorar o Natal sendo Ateu?


Por Fabiano Uesler / Arquivo Revista Ateísta
(Clique nas imagens para ampliar e clique em continuar lendo para ler a matéria na íntegra)
Imagem: Revista Ateísta
Eu estava conversando com o editor da Revista Ateísta o Grabriel Filipe sobre o que escrever nesta época do ano sendo que a temática lógica seria o Natal e chegamos a nos perguntar como e porque comemorar o Natal sendo ateus? 

A resposta a esta pergunta coincidentemente veio no dia 25 de Dezembro de 2013, dia em que escrevi este texto. 

Faz alguns anos que deixei de acreditar totalmente em crendices, mitos, deuses, simpatias e todo este “léxico” sobrenatural aos quais os brasileiros estão expostos. 

Mito do Papai Noel
Imagem: Reprodução
O que me leva a falar do tema é simples, minha esposa tem sim sua fé assim como tenho minha “não fé” e conseguimos conviver harmoniosamente com isso sempre nos respeitando. Temos nosso filho o Frederico de 9 anos e ela trouxe em sua vida a história do “Papai Noel”, posso dizer que me desapontei com isso? 

Nem um pouco. Como professor não posso jamais confrontar o poder do lúdico e do imaginário infantil na aprendizagem e por mais consumista que este símbolo possa parecer a muitos sempre o tivemos em casa como ponto comum todo ano. 

Nosso filho ouve muito em casa sobre nossas conversas sobre religião e já se declarou muitas vezes ateu certamente para me agradar. 

Nesses momentos normalmente olho em seus olhos e digo que “é muito cedo” pra ele decidir no que vai ou não acreditar.


Sempre o ensinamos a fazer o certo pelo certo, a praticar o bem pelo bem e nunca porque há castigos divinos ou que algum espírito “mal humorado” vai castiga-lo se ele não rezar ou não decorar algum texto escrito há dois mil anos. 

Imagem:Reprodução
Podem dizer que sou coruja, mas vejo o fruto do nosso trabalho e empenho na educação dele quando ouço das professoras que ele deve continuar sendo a criança educada e querida que é e sim, sou um “pai coruja”.
Contei a ele as diversas histórias onde se baseia o mito do Papai Noel e de como sua imagem mudou.
Contei a ele também já que seus avós são católicos praticantes as diversas origens do natal e dos deuses e divindades que fazem seus “aniversários” nesta época do ano. 

Falei sobre Hórus, Mitra, Attis, Héracles, Dionísio e Jesus, contei a ele a origem e a história destes mitos.

Ele adora mitologia e cada vez mais entende o que é o “sincretismo” dentro da nossa história.

Sincretismo Religioso
Imagem: reprodução
Logo ele deixará também de acreditar no mito do Papai Noel e entenderá também com isso porque a humanidade usa seus deuses e mitos.

Muito se usou para explicar o que até então era inexplicável, muito se usou para confortar, muito se usou para dominar, muito se usou para controlar.

Porém como nunca gostei e continuo desgostando de extremismos não irei simplesmente tirar esta “crença” infantil dele apenas para fazê-lo ver que seu pai está certo, não.

Há momento para tudo e a reflexão sobre esta história e este mito tão pueril, porém tão gentil será inevitavelmente feito e ele certamente verá que os mitos sempre existiram e que cabe a nós ver além deles.

Agora voltando aos porquês do início. Porque nós ateus deveríamos comemorar algo nesta época?

Imagem: Reprodução
Nós não precisamos, porém porque não redescobrir esta data e transformá-la em uma celebração á vida?
Em uma celebração à nossa humanidade e a genialidade com que nós seres humanos temos transformado o mundo em que vivemos assim com em uma reflexão aos erros que estamos cometendo nesta jornada.

Não precisamos deixar de unir nossas famílias em momentos de alegria e amor ao próximo, sinceramente somos muito melhores do que qualquer religião, pois como a ATEA costuma dizer, “pessoas ajudam pessoas”.

Independente de credo, cor, raça ou sexo nós devemos fazer o bem pelo bem comum, pela humanidade, por nós e pelo próximo.

Desejo a todos um 2014 com muitas realizações e que nosso brilhantismo, nossa ética e nossa inteligência nos faça cada vez mais rumar para este admirável mundo novo” .

 Nas palavras de Lennon, 
“You may say I'm a dreamer, 
but I'm not the only one. 
I hope someday you'll join us, 
and the world will be as one 
(Você pode dizer que sou um sonhador, 
mas não sou o único. 
Tenho a esperança de que um dia você se juntará a nós 
e o mundo será como um só)” . 
Imaginem.

5 comentários:

  1. Fabiano belo texto para que comecemos o ano de 2014 com uma reflexão.
    Eu particularmente não acredito que exista ateu. Quanto mais se nega mais se aproxima de DEUS. Como Humanista, é isso que me convêm a existência. Quanto as festas natalinas para muitos pouco representa o nascimento de Jesus, mas sim o comércio a confraternização e o verdadeiro sentido fica atrás na fila. Por isso acho normal um ateísta comemora o Natal, é natural, não passa pela cabeça dele a importância primordial, mas sim os coadjuvantes .
    Nada de anormal um ateísta que normalmente são pessoas bondosas, comemorarem o Natal e outras festas cristãs.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história.

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    1. Nossas crenças se forma com nossas virtudes e principalmente com nossa história. Tenho fé na humanidade e nos sentimentos humanos e sua bondade. Quanto a deuses e mitos são desnecessários. Mas o Natal pode sim ser transformado em uma data humanista.

      Um grande abraço querido Amigo Adalberto.

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  2. Obrigado Fabiano
    Abraços
    Adalberto Day

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  3. Parabéns pelo texto Fabiano! Você pode ter orgulho de seu filho ter um pai legal assim, que explica direito e faz com que a gente entenda com facilidade. Sobre a questão de ser Ateu, ateísta, acho que isso pode sim ser uma opção bem interessante. Outra hora comento mais. Gostei dessa parte:
    - "Independente de credo, cor, raça ou sexo nós devemos fazer o bem pelo bem comum, pela humanidade, por nós e pelo próximo."

    Para criarmos uma sociedade melhor, pessoas melhores a gente precisa criar em nós o sentimento Altruísta, isso sim importa de verdade. Fazer o bem, dividir e tudo ser melhor...para todos....
    Abraço

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    1. Obrigado André. O humanismo secular é uma postura filosófica que abraça a razão humana, a ética, a justiça social e o naturalismo filosófico, enquanto rejeitando especificamente o dogma religioso, sobrenatural, pseudociência ou superstição como a base da moralidade e de tomada de decisão. Portanto, antes de ser ateu sou humanista secular. Nós somos capazes de ser éticos independente de credos ou "não credos", de fazer o bem pelo bem comum pois sem isso somos selvagens ou vivemos no cabresto de dogmas que tem por único objetivo alimentar instituições religiosas que nada mais querem que poder puro e simples.

      Resumindo, façamos sempre o bem pelo bem. Erramos muito neste caminho, mas tentamos sempre acertar e conseguiremos um dia.

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