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terça-feira, 29 de julho de 2014

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Trânsito - Conheça os trechos mais perigosos da Rua João Pessoa

Já sabemos que o número de acidentes chegou a dobrar na rua João Pessoa (220% em abril) e que atingiu o pico de 22 ocorrências no mês do Maio Amarelo. Mas, de nada adiantam números se não se informar a população usuária daquela via onde estão os pontos mais críticos para que redobrem os autocuidados. 
 
Primeiramente, gostaria de esclarecer que não trabalho na prefeitura ou no Seterb e que não tenho qualquer vínculo empregatício com órgãos públicos ou com os gestores do trânsito na cidade. Sou educadora de trânsito, profissional liberal, tenho formação em Segurança no Trânsito e a responsabilidade de fazer educação para o trânsito com responsabilidade social. É um trabalho de doação, voluntário mesmo como parte do meu compromisso profissional e existencial com a segurança das pessoas no trânsito. Faço questão de explicar para que não restem dúvidas.

Acidentes de trânsito não são só números e pessoas não são estatísticas. Estamos falando aqui de vidas humanas, muitas já perdidas em acidentes provocados por diversos fatores. Diariamente, pedestres, ciclistas, motoristas e outros usuários da via estão expostos a riscos de atropelamentos, colisões, abalroamentos e outros tipos de acidentes.

O objetivo deste artigo é informar sobre os pontos críticos onde foram registradas mais ocorrências ao longo da Rua João Pessoa. Ao saber os pontos onde mais se bate em carro parado, quem sabe o condutor pense duas vezes se vai deixar o veículo estacionado naquele local.

Saber onde mais se registram colisões frontais, traseiras, atropelamentos e abalroamentos pode ser uma dica valiosa para redobrar os cuidados quando se caminha, pedala ou trafega pela Rua João Pessoa. Por isso, a partir da base de dados públicos no Portal da Transparência da prefeitura foi feito o levantamento dos acidentes por tipo; os dados foram lançados no Google Maps e georreferenciados. Os pontos críticos foram aqueles que mais se destacaram entre trechos específicos da via.



Atropelamentos
  • Altura do número 1.425 – Próximo ao Posto de Gasolina no acesso à Vila Germânica
  • Altura do número 2.344 – Próximo à Clínica Veterinária Biobichos
  • Altura do número 2.660 – Próximo à Quanta Coisa/Entrada para Vasto Verde
  • Altura do número 3.200 – Próximo ao Banco do Brasil
  • Altura do número 3.258 – Próximo ao Trevo do Tomio
Colisão frontal
  • Altura dos números 2.029 e 2.050 – Próximo ao Bradesco
  • Altura do número 2.269 – Próximo ao Colégio Adolpho Konder
  • Altura do número 2.345 – Próximo à Clínica Veterinária Biobichos
  • Altura do número 2.603 – em frente à Quanta Coisa
  • Altura do número 3.177 – Próximo ao Trevo do Tomio
Choque contra poste
  • Altura entre os números 1.858 e 2.121 – Entre Quanta Coisa e Bradesco
Abalroamentos (Transversal e Longitudinal)
  • Altura dos números 1 ao 97 – Da Blupel até o cruzamento com a rua 7 de Setembro
  • Altura dos números 1.858 ao 2.121 – Da Quanta Coisa até o Bradesco
  • Altura dos números 2.400 ao 2.650 – Da Clínica Biobichos até a Caixa
  • Altura dos números 2.870 ao 3.200 – Saída do Trevo do Tomio até o Bradesco
Bater em carro parado
Tecnicamente, trata-se do choque, o tipo de acidente em que o condutor não consegue manter o veículo na via e “bate” contra objetos fixos. Neste caso, considerou-se apenas os locais onde se mais bate em carro parado. Uma dica para quem costuma estacionar próximo a estes locais.
  • Altura do número 2.905 ao 3.177 – Coremma até Trevo do Tomio
  • Altura do número 1.701 ao 1.504– Cruzamento João Pessoa com Marechal Deodoro até acesso ao Morro da Cia Hering
  • Altura do nº 444 ao nº 1 – Próximo ao Angeloni até trevo com a Rua 7 de Setembro
Alguns pontos específicos se destacaram nas análises como, por exemplo, os choques contra carros parados tanto na curva quanto em retas, o que pode ser um indicativo de abuso da velocidade ao ponto de o condutor não conseguir controlar os veículos.

No que se refere aos abalroamentos transversais, típicos de quem sai de um cruzamento com pressa ou sem dar seta, quando se georreferencia as ocorrências no mapa, constata-se que muitos não foram provocados especificamente em cruzamentos, mas sim, em conversões.
Como são 3 faixas, duas em um sentido e uma em outro, o condutor tem dificuldades para convergir atravessando duas faixas. Trocando em miúdos fica assim: dos dois condutores que trafegam no mesmo sentido, um dá a vez, o outro não e é onde se provoca o abalroamento transversal ou colisão lateral. Aliás, este é o mesmo problema enfrentado pelo pedestre: um condutor dá a vez e o outro não, mesmo com o pedestre atravessando em cima da faixa de segurança.

Em relação aos ciclistas (e tem muita gente antipática à estes usuários da via), a situação fica pior: embora o art. 201 do CTB determine que o condutor deva ultrapassar o ciclista a 1,5 metros de distância, com a terceira faixa na João Pessoa a pista de rolamento ficou estreita demais e para não cometer esta infração, o condutor tem que cometer outra pior: avançar sobre a linha contínua dupla e invadir a pista contrária. Uma constatação de que não é só o comportamento do motorista o que mais causa acidentes na João Pessoa, mas também o traçado da via em alguns pontos que deixa o condutor sem alternativa para fazer a sua parte.

Os ônibus, camionetas e caminhonetes são largos e ocupam quase todo o espaço da faixa em que trafegam, deixando o ciclista sem opção: ou toma buzinada e é xingado para sair da frente do ônibus e dos outros veículos ou pára a bike e pedala pela calçada. Ou seja, ou toma “fina” de veículos ou “tira fina” dos pedestres.

Diz o art. 58 do CTB que o ciclista tem preferência sobre os veículos, mas quantos ciclistas são ameaçados todo dia por condutores de veículos, infração gravíssima ao art. 170?

A prefeitura está começando em breve uma campanha que pede a cada usuário da via que faça a sua parte, respeite as leis de trânsito e não provoque acidentes. Mas, as ações têm de ser sistêmicas e contextualizadas. Começa pela mudança de mentalidade de pedestres que atravessam fora da faixa para ganhar tempo, de motoristas que abusam da velocidade em uma via em que não se deve passar dos 50km/h, de motociclistas que trafegam no corredor e pela contramão. Mas, também, pela mudança de mentalidade em relação aos ciclistas.

Temos uma frota que já passa de 235 mil veículos; 1,2 mil emplacamentos novos ao mês e cerca de 400 novos condutores habilitados a cada 30 dias. Mesmo que todo mundo ande bonitinho respeitando o outro no trânsito, vai chegar uma hora em que não vai ter mais ruas para tantos carros. E já estamos sentindo isso na pele.

Já passou da hora de se (re)pensar a mobilidade humana no trânsito, de se buscar uma cidade para as pessoas e não para os motorizados, bem como de se repensar o tempo de travessia em semáforos e a redução da velocidade em algumas ruas.

A Semana Nacional do Trânsito vem aí com o tema Proteção ao Pedestre e estamos fazendo muito pouco. O que teremos para apresentar além de festejos-relâmpago que morrem em uma semana de setembro?

Enquanto isso, vou contribuindo como posso e indicar os locais em que o risco de acidente é maior na João Pessoa (dos 607 acidentes no Bairro da Velha, 131 foram nesta rua) já é um bom começo. Muitos autocuidados e salve-se quem puder!

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