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quinta-feira, 5 de junho de 2014

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Trânsito - Quantidade de acidentes dispara no mês do Maio Amarelo







Se por um lado, a cidade de Blumenau tem muito a comemorar por se destacar nacionalmente na agenda de eventos e ações educativas durante o Maio Amarelo, parece que todo o barulho que fizemos para chamar à atenção pela necessidade de autocuidados e preservação da vida não surtiu muito efeito na prática. É o que mostram as estatísticas de acidentes de trânsito em relação ao mês de abril. E o pior: maio foi um mês mais violento para o trânsito na cidade em todos os tipos de acidentes registrados a partir dos boletins de ocorrência de atendimentos feitos só no perímetro urbano. Até o número de mortes aumentou: em abril tivemos duas e em maio esse número dobrou.

Em maio tivemos 103 abalroamentos a mais do que em abril e o mesmo ocorreu em relação aos choques (29 a mais); colisões (43 a mais) e precipitações (9 a mais). Também aumentaram as ocorrências de atropelamentos, engavetamentos, capotamentos e tombamentos, com um a mais para cada um desses acidentes, conforme mostra a tabela.

Tipo de acidente
ABRIL 2014
MAIO 2014
Abalroamento
260
363
Choque
282
311
Colisão
108
151
Precipitação
142
151
Atropelamento
20
21
Engavetamento
3
4
Capotamento
2
3
Tombamento
2
3
   Fonte: GMT/Portal da Transparência – Prefeitura Municipal de Blumenau (2014)

Isso significa duas coisas importantes: que embora as pessoas, as empresas, as instituições, a imprensa, as organizações e a sociedade tenham se organizado, aderido e participado do Maio Amarelo, todas as programações e ações educativas não foram suficientes para mudar os hábitos e as práticas dos blumenauenses ao volante.

Isso mostra que apenas ações educativas como palestras, abordagens nas ruas, entrega de adesivos e panfletos de autocuidados não são suficientes. Os fatores causadores da acidentalidade são o homem (em mais de 90% dos casos), o veículo e a via e os 3 pilares do trânsito seguro são: a engenharia, a fiscalização e a educação. Enquanto não equilibrarmos nossas ações nestes pilares, não vai adiantar nem colocarmos melancia no pescoço para chamar ainda mais à atenção a população que sempre será pouco.

Se no mês em que toda a cidade se envolveu e ficou sabendo da proposta do Maio Amarelo os números de acidentes quase que chegaram a dobrar, imaginem nos meses em que a vida segue morna, sem nenhuma campanha educativa, sem nenhum barulho que tente sensibilizar à todos e chamar à reflexão para a quantidade de tragédias diárias no trânsito.

E aí tocamos num ponto que volto a insistir e não é de hoje: falta uma política pública efetiva voltada para o trânsito (e não fazer política com o trânsito) que envolva todas as secretarias do Executivo, que envolva as mais de 150 associações de moradores, os Conselhos Comunitários de Segurança, as associações, fundações e outras entidades corporativas que representem a sociedade e a iniciativa privada. Falta colocar a alma naquilo que estamos fazendo pelo trânsito na nossa cidade e no nosso país.

Não adianta fazer reunião para marcar outra reunião, que vai resultar em mais reunião. Não adianta fazer grupos fechados e seletos de especialistas que vão se fechar corporativamente e se debruçar em cima de planilhas e números. Afinal, tudo o que temos tido ultimamente são planilhas e números que nos ajudam a contar o números de mortos e feridos no trânsito. E já estamos cansados de contar mortos e feridos no trânsito.

Também não adianta só comemorarmos os efeitos de maio porque Blumenau se destacou na mídia nacional por ações inéditas como a 1ª Corrida Pela Vida, a 1ª CÃOminhada Pela Vida no Trânsito ou pelo 1º Culto Ecumênico em Memória e em Respeito às Vítimas de Acidentes e Suas Famílias em 163 anos de história.

Que ótimo, que bom que começamos a sair da inércia! Que bom que estamos acordando e saindo da letargia e da indiferença diária em relação às tragédias do trânsito em Blumenau e região. Mas, é pouco! Ainda é muito pouco!

Os holofotes se apagaram com o mês de maio e o que vai contar de verdade daqui para a frente é como iremos enfrentar essa situação no restante dos dias, dos meses, dos anos, que têm que ser todos amarelos em atenção pela vida.

A mesma sociedade organizada que demonstrou sua preocupação com os acidentes de trânsito e suas consequências no mês de maio é aquela que tem que continuar se preocupando, se organizando e se mobilizando com estratégias bem definidas, porque senão o Maio Amarelo terá sido apenas simbólico.

Não adianta vestir uma roupa amarela e dirigir agressivamente. Não adianta colocar fitilho amarelo no peito e atravessar a rua sem cuidados, fora da faixa, no meio de um cruzamento perigoso, fazer uma ultrapassagem perigosa ou abusar da velocidade para não manchar o asfalto de vermelho.

É agora que eu quero ver, Blumenau! Que rumos vamos dar para essa história?

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