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sábado, 24 de maio de 2014

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Trânsito - Coloque-se no lugar de um deficiente no trânsito



Pegue dois pacotes de 5 quilos de arroz e amarre um em cada tornozelo. Pegue dois pacotes de 2 quilos de feijão e amarre um em cada braço. Agora pegue um pedaço de tecido cinza, vende seus olhos, comece a caminhar pela cidade e experimente como é ser um pedestre com mobilidade reduzida.

Tente andar pelas calçadas desniveladas, esburacadas e estreitas. Experimente aqueles trechos onde a calçada termina e você tem que se expor na pista de rolamento tentando se proteger da “fina” dos veículos. Mas, cuidado com as poças d’água, com a lama e com o que pode ter de perigos escondidos no capim alto.

Se preferir, esqueça-se que tem pernas saudáveis ou imagine que seja amputado. Sente-se na cadeira de rodas e tente fazer coisas que muitos deficientes fazem no dia a dia: sair da cadeira de rodas para o banco do motorista, atravessar a faixa de pedestres, tentar se deslocar pelas calçadas, nos prolongamentos sem rebaixamento, ou quem sabe acessar alguns prédios públicos e privados.

Experimente a sensação de ter um veículo estacionado na vaga preferencial ou bem em cima da sinalização de espaço reservado para a manobra com a cadeira de rodas. E tente não ficar indignado e com raiva mesmo se ficar trancado ali até que o ladrão de mobilidade que nunca precisou dessa vaga resolva voltar.

Não esqueça de tentar entrar no ônibus também para sentir na pele a cara de impaciência de alguns passageiros ou ouvir a buzina do motorista de trás porque o coletivo está demorando muito para sair.

Faça melhor: vende bem os olhos, pegue uma bengala branca e tente se locomover como um cego. Quando der com a cabeça ou qualquer outra parte do corpo num obstáculo procure não ficar indignado. E se você tiver escolhido um tecido que dê um pouquinho de visão, tente não se sentir ofendido e desrespeitado quando alguém gritar: “anda, seu molóide” e principalmente se perguntarem: “tá cego?”. Sim, porque a baixa visão também é considerada cegueira.

Essas são algumas estratégias e recursos simples que utilizo desde 2010 em minhas palestras com dinâmicas de grupo e que fazem muita gente repensar seus conceitos e seus comportamentos no trânsito.

Estratégias que fazem cada um repensar a sua ignorância, a sua arrogância, o seu egoísmo e falta de humanidade no trânsito. Fazem repensar a própria hipocrisia.

Muitas pessoas tem aquela mania de tentar justificar qualquer coisa que tenham feito de errado com aquele papo de “coloque-se no meu lugar”. Pelas redes sociais até circulam e se compartilham postagens em que as mensagens dizem: “antes de me julgar, calce minhas sandálias, vista minha roupa, caminhe por onde eu caminhei e ainda caminho para sentir na pele o que eu passo.”

Mas, no dia a dia, e principalmente no trânsito, as pessoas são hipócritas: continuam julgando, não calçam as sandálias do outro, não se colocam no lugar do outro, não experimentam as dificuldades de mobilidade de um cego, de um cadeirante, de uma pessoa com muletas. Não caminham por onde elas caminham, tampouco sentem na pele o que o outro sente e passa.

Não sentem na pele a dor da humilhação de um deficiente que é xingado e ainda culpado pelo acidente provocado pela pressa, pela arrogância, pela ignorância que exerce na vida e no trânsito.

Se as pessoas se colocassem no lugar do outro de verdade do mesmo modo que imploram para que o outro se coloque no lugar delas, não ocupariam vagas de deficientes nos supermercados, nos shoppings, na feira, em via pública ou em qualquer outro lugar.

Se muitas pessoas não fossem hipócritas não fariam de conta que estão dormindo, se levantariam e cederiam, por respeito, por humanidade e por direito, o assento preferencial nos ônibus, nas repartições públicas e em qualquer outro lugar.

Esse artigo me faz lembrar de uma senhora com cara de gente boa que me mandou procurar o que fazer e “parar de encher o saco” quando solicitei que ela retirasse seu carro de uma vaga preferencial no Big e colocasse em outra dentre as muitas mais distantes da porta de acesso que havia no supermercado.

Tomara que essa senhora leia o Blog Todo Dia Blumenau para saber que as vagas preferenciais são propositalmente pertinho da porta de acesso justamente para tentar diminuir as dificuldades dos deficientes.

Tomara que ela assista televisão, ouça rádio e acompanhe as notícias do Maio Amarelo para lembrar bem da minha voz e do pedido que constantemente faço: não roube a mobilidade de quem já não tem.

Quem sabe assim, essa senhora e tantos outros senhores e senhoras com cara de gente boa deixem de ser hipócritas e comecem, assim como tantos outros, a se colocar no lugar de deficientes, cadeirantes e outros com mobilidade reduzida e exerçam a sua humanidade e cidadania. Afinal, quem vê cara, não vê coração.

Ah! E antes de pedir para que o outro se coloque no seu lugar e entenda as suas dificuldades, seja o primeiro a se colocar no lugar do outro e a não fazer que não gostaria que fizessem com você. Na vida e no trânsito.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

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Política - Aprovado o projeto que reajusta o salário dos servidores públicos de Blumenau em 5,82%


Por Câmara Municipal de Blumenau



Os vereadores aprovaram, na sessão desta quinta-feira (22), Projeto de Lei Complementar Nº 1.354, de autoria do Executivo, que autoriza a concessão de reajuste salarial aos servidores públicos municipais de Blumenau. Foram nove votos a favor da proposta, que concede o reajuste de 5,82% correspondente à variação acumulada do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) no período compreendido entre maio/2013 e abril/2014.

O projeto também reajusta em 11,53% o valor do vale-alimentação dos servidores ativos do Poder Executivo, das suas autarquias e fundações públicas, por dia trabalhado.

Rejeitaram a matéria os petistas Adriano Pereira e Jefferson Forest, os peessedistas Marcelo Lanzarin e Antônio Veneza, além do vereador Ivan Naatz (PDT). O presidente da Câmara, Vanderlei de Oliveira (PT), vota somente em caso de empate.

Inicialmente, a matéria recebeu duas emendas, mas o vereador Ivan Naatz pediu a retirada da sua proposta, que autorizava o Executivo a conceder aumento por categoria diferenciada. A outra emenda, de autoria do presidente Vanderlei de Oliveira, foi aprovada e estendeu o reajuste aos servidores da Câmara Municipal de Vereadores.

Diretores do Sindicato Único dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Blumenau (Sintraseb) ocuparam a tribuna pedindo a rejeição da proposta. Os representantes da categoria estão em greve desde quarta-feira (21) e declararam que com a aprovação do projeto a paralisação dos servidores públicos continuará.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

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Sociedade - As cotas e o Apartheid Tupiniquim


Por Gustavo Melo / Arquivo JusBrasil

Do seu descobrimento até o Império, o Brasil tratava sua população negra como escravos, ou seja, seres inferiores que tinham como função apenas servir aos seus senhores. Não tinham Direitos, apenas deveres, e muitos deveres. Eram instalados em senzalas e como se não bastasse eram amarrados ao tronco para levar chicotadas em caso de rebeldia. Alguns barões da época tinham boa vontade e assinavam uma "carta de alforria" para que este negro pudesse ter para si uma vida mais digna, podendo trabalhar com um salário e poder pagar as suas contas.

Finalmente, em 13 de maio de 1888, um sábado, a Princesa Isabel, tomou a melhor decisão que nem seus antepassados tinham coragem de tomar: assinar a Lei Áurea, permitindo assim que todos os negros em absoluto vivessem em liberdade, garantindo os mesmos direitos e deveres que os brancos tinham, tratando-os como pessoas de plena capacidade para produzir e prosperar.

Infelizmente, o preconceito não parou por aí. Mesmo após a Proclamação da República, muitas pessoas de diversas classes sociais consideravam um absurdo que um negro pudesse assumir uma vida normal como qualquer outra pessoa.

Nos tempos atuais, após um século e 1/4 desde a assinatura, mudanças de posturas vêm ocorrendo no Brasil, não a partir dos cidadãos comuns, mas sim dos nossos próprios governantes. É o que eu chamo agora de "subestimação racial".

Sim, pois agora a capacidade de uma pessoa ingressar numa faculdade ou em um cargo ou função pública está diretamente ligada à quantidade de melanina que ela possuir. Em uma linguagem mais informal, o que os parlamentares têm defendido é "Quanto mais negro, mais burro, e por ele ser burro, precisamos fazer cotas para os coitadinhos, se não eles nunca serão aprovados nos exames.

Existem tantos negros inteligentes em nossa geração, dotadas de uma sabedoria ímpar, como o nosso Nobre Ministro do STF Joaquim Barbosa, o saudoso cantor Jair Rodrigues, a talentosa atriz Taís Araújo, entre tantos outros nomes conhecidos. Agora olhe pense nessas pessoas e diga se elas precisaram de cotas para subir na vida.

Hoje, 20 de maio de 2014, o Senado aprovou um texto que institui cotas em concursos públicos federais para negros de 20% apenas por estes serem negros. Esses parlamentares só podem ter faltado às aulas de Biologia. Ou seja, estamos diante de um novo apartheid no Brasil, onde ser negro agora é mérito e ser branco é uma lástima, estimulando assim o ódio racial numa terra onde todos deveriam se tratar como simplesmente humanos. Bem, às vezes, ser daltônico não seria tão ruim assim.


Imagens: Reprodução