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quarta-feira, 21 de maio de 2014

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Charge - Nem com Fé a obra não acaba!!!


Imagem: Reprodução

terça-feira, 20 de maio de 2014

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Poesia - Estrela da manhã


No crepúsculo da lua,
Há um silêncio nos invadindo,
Aflora nossa imagem crua,
Mas nosso interior está sorrindo.

Pois uma paz calma e serena,
Preenche nosso amanhecer,
Engrandecendo nossa alma pequena,
Iluminando nosso ser!

Pois se fora a sombra da noite,
E toda lembrança escura,
Livramos-nos de todo açoite
E nossa imagem é mais pura.

Porque na nossa vida temporã
Buscamos muitos amores,
Mas na Estrela da manhã,
Encontramos Deus em cores!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

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Literatura - A Tríade Distópica – Parte 2: “Laranja Mecânica”


Juntamente com 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Laranja Mecânica, de Anthony Burgess é a obra literária que fecha a Tríade Distópica, são romances ambientados num futuro não muito distante das épocas em que foram escritos e que criticam a alienação, o totalitarismo e as formas de controle social. Se na parte 1 desta série vimos a obra distópica mais impactante (clique aqui para ler o artigo sobre o livro “1984”), agora nos focaremos naquela que é a mais famosa, fama em grande parte advinda da excelente adaptação cinematográfica do mestre Stanley Kubrick.

Apesar deste artigo fazer alguns paralelos e utilizar imagens da película, não é seu objetivo analisar o filme, mas o romance originalmente lançado em 1962.
Anthony Burgess não era um escritor de sucesso e nos idos de 1959 foi diagnosticado com um tumor cerebral, a partir deste ponto, com o objetivo de deixar algum dinheiro para sua esposa, ele escreveu como se não houvesse amanhã (literalmente) e em menos de um ano tinha seis obras completas, sendo que uma delas viria a se tornar um clássico, mesmo que tenha sido largamente conhecida somente dez anos depois, após o lançamento do filme de Kubrick. Felizmente, Burgess pode desfrutar do sucesso e dinheiro, pois o diagnóstico se mostrou errado e o tumor nem sequer existia.

O que seria mais bizarro que uma laranja mecânica? Segundo Burgess, trata-se de uma expressão londrina que significa estranheza, uma extravagância tão grande que subverte a natureza, afinal, o que seria tão estranho quanto uma fruta recheada por engrenagens? Estranheza que o leitor experiência logo no início do primeiro dos vinte e um capítulos, todos eles narrados em primeira pessoa pelo protagonista Alex, que emprega certas expressões em seu vocabulário, que até então eram desconhecidas por todos, trata-se do vocabulário Nadsat, que Burgess criou misturando inglês, russo e gírias londrinas. A ideia era que houvesse uma linguagem utilizada pelas gangues juvenis retratadas na obra, mas ele não poderia utilizar as gírias da época, pois além de datar o romance, entrariam em contradição com a época futura em que a história é narrada.

As edições brasileiras trazem um glossário da linguagem nadsat no final do livro, mas há uma nota informando que caso o leitor queira experimentar a estranheza que os leitores britânicos tiveram (e ainda tem, pois segundo uma pesquisa que fiz não há glossário mesmo nas atuais edições britânicas), recomenda-se que o leitor mergulhe diretamente na narrativa e descubra o mundo de Alex da maneira que o autor concebeu, algo mais ou menos assim: “Então ele agarrou com força a devotchka, que ainda estava krikikrikando num compasso quatro por quatro muito horrorshow, prendendo os rukas dela por trás e grudis muito horrorshow exibindo seus glazis rozas”.

Capas das Edições Brasileiras

Os vinte e um capítulos narrados em primeira pessoa pelo anti-herói Alex, que no filme de Kubrick se chama Alex DeLarge (numa referência a Alexandre, O Grande), são divididos em três partes distintas. A primeira delas narra a saga de ultraviolência de Alex e seus druguis, enquanto bebem moloko com vellocet e itiam pela cidade em busca de veshkas horrorshow até que Alex termina por ubivatar uma babushka e acaba indo parar na cadeia. A segunda parte mostra a rotina de Alex como um pleni até que aceita participar do Tratamento Ludovico, uma espécie de terapia por aversão em que Alex é drogado para sentir náuseas enquanto é obrigado a videar filmes de ultraviolência, bitvas e outras barbáries. O tratamento termina com Alex incapaz de cometer qualquer ato violento, mas não por opção do individuo e sim por uma imposição física, ou seja, Alex perde o livre-arbítrio. A terceira e última parte narra a reintegração de Alex à sociedade, quando seus pais não o querem mais em sua domi, ele é hostilizado por seus antigos druguis e utilizado como meio de propaganda tanto pelo governo como pela oposição.

Alex e seus druguis no Korova Milk Bar tomando moloko vellocet antes de uma noite de ultraviolência

O capítulo vinte e um do livro, que narra uma espécie de redenção do protagonista, foi originalmente omitido das edições americanas e da adaptação cinematográfica de Kubrick, deixando um final mais aberto e sombrio, quando Alex devaneia numa cena orgiástica e se declara curado do Tratamento Ludovico. Pessoalmente prefiro a versão completa, mas a visão dada por Kubrick em seu filme também é muito horrorshow.

A cena final de Kubrick, que teve de ser filmada 74 vezes até ficar perfeita

 Diferentemente de 1984 e Admirável Mundo Novo, neste romance não ficamos conhecendo todas as engrenagens de um sistema que oprime o indivíduo, mas temos uma abordagem mais pessoal daquele que foi a cobaia inicial para que se instaure um governo opressor baseado no medo. Enquanto 1984 e Admirável Mundo Novo são distopias disfarçadas de utopias, em Laranja Mecânica temos um cenário distópico de extrema violência juvenil e insegurança, que serve como artifício para que um grupo político imponha seus ideais, ou seja, é o começo de tudo, foi assim que os grandes regimes totalitários do século XX se instauraram e é assim que medidas cada vez mais restritivas e opressoras vem ganhando popularidade atualmente. O romance de Burgess tem como tema central a perda da liberdade em pról de um bem maior, porém esse suposto bem maior não passa de uma falácia, assim como no Brasil há quem defenda a volta da ditadura militar e nos EUA os membros do Tea Party clamam por medidas de segurança que invadam as liberdades individuais, o partido de ocasião em Laranja Mecânica propunha uma medida que eliminava a violência não por meio da educação e pelo provimento de oportunidades aos cidadãos, mas pela zumbificação dos indivíduos propensos à violência. Isso não é uma solução, é apenas o início de uma distopia, afinal, uma pessoa sem liberdade é algo tão bizarro quanto uma laranja mecânica.

Glossário das expressões nadsat utilizadas neste artigo:

Babushka - Velha
Bitva – Luta, Batalha
Devotchka - Garota
Domi - Casa
Drugui - Amigo
Glazi – Olho, Mamilo
Grudis - Seios
Horrorshow – Ótimo, Excelente, Legal
Krikikrikando - Gritando
Moloko - Leite
Pleni - Prisioneiro
Ruka – Mão ou Braço
Ubivatar - Matar
Ultraviolência - Estupro
Vellocet – um tipo de Droga
Veshka - Coisa
Videar – Assistir, Observar


Clique aqui e veja o glossário de expressões nadsat completo da edição brasileira.

domingo, 18 de maio de 2014

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Trânsito - Blumenau se pintou de amarelo!


Cerca de 15 mil laços amarelos (fitilhos), 20 mil panfletos e 5 mil adesivos distribuídos. Só no 1ª dia de Maio Amarelo, que começou com a Festa do Trabalhador, na Vila Germânica, foram realizados 900 atendimentos e 50 questionários aplicados. No Super Sábado foram 17 entidades envolvidas, 72 voluntários, 500 flores distribuídas, 1.000 panfletos entregues, 300 atendimentos avulsos, 400 prestações de serviços a comunidade.

Até o momento, foram distribuídos 60 Códigos de Trânsito Brasileiro e realizadas ações educativas e preventivas ao álcool e direção em bares e lanchonetes de Blumenau. Voluntariamente, 40 pessoas sopraram os bafômetros descartáveis. Destas, apenas 5 estavam aptas para dirigir até aquele momento; 28 teriam cometido a infração de trânsito ao artigo 165 do CTB e os demais teriam cometido crime de trânsito se fossem dirigir em via pública. Até o final de maio, terão sido distribuídos mais de 200 exemplares do Código de Trânsito Brasileiro e mais de 400 abordagens educativas e preventivas de trânsito com bafômetros descartáveis em Blumenau e municípios vizinhos.

Os materiais ainda estão chegando e serão distribuídos em ações parceiras com especialistas, instrutores de trânsito, Escola Pública de Trânsito, e como não somos fominhas e a luta por um trânsito seguro depende de ações compartilhadas, parte desses códigos e bafômetros também irão para Balneário Camboriú, Timbó e Indaial.

Durante um mês inteiro, Blumenau se pintou de amarelo, a cor da advertência e da atenção pela vida no trânsito. Fomos para as ruas, fizemos panfletagens educativas, abordamos motoristas, pedestres, ciclistas e motociclistas. Nos bares e lanchonetes, as pessoas entraram na brincadeira dos bafômetros descartáveis e foram orientadas, aprenderam a diferenciar entre infração de trânsito e crime de trânsito e foram convidadas a refletir sobre as consequências de beber e dirigir.

Muitas, sabemos, toparam a brincadeira com leveza, ouviram atentamente as explicações e alertas, mas foram para casa dirigindo depois de beber. Fizemos a nossa parte semeando conscientização e segurança no trânsito. Se o solo é bom, aí são outros quinhentos.

Mas, essas ações diferenciadas voltadas para a prevenção de acidentes só foram possíveis porque o Ministério das Cidades, DENATRAN e Pacto Nacional pela Redução de Acidentes (Parada pela Vida), enviou (e ainda está enviando) à coordenação do Maio Amarelo os bafômetros descartáveis e exemplares do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para intensificarmos a maior parte das abordagens até o final de maio.

Nunca os gestores que estão no topo da coordenação máxima do Sistema Nacional de Trânsito estiveram tão perto e tão parceiros de Blumenau quanto no Maio Amarelo e isso também é motivo para se comemorar. Leia-se Ministério das Cidades/DENATRAN/Pacto Nacional Pela Redução de Acidentes (Parada Pela Vida).

Chamar a atenção da sociedade para o alto número de mortos, feridos e sequelados permanentes no trânsito de todo o mundo. Essa é a proposta do movimento internacional Maio Amarelo, que nasceu no Brasil no mês de março e se espalhou por 178 países como o Yellow May. O símbolo do movimento é um fitilho amarelo, a cor da advertência no trânsito e o objetivo é mobilizar toda a sociedade organizada em torno da acidentalidade e morbimortalidade no trânsito para um debate sério e engajar-se em ações locais coordenadas, preventivas e educativas.

Maio é o mês em que a ONU decretou a Década de Ações para a Segurança no Trânsito (2011-2020) e também o mês em que se realiza anualmente a Semana Mundial de Segurança do Pedestre. Lembrando que a cada 7 minutos um pedestre é atropelado no Brasil e a cada 22 minutos uma pessoa perde a vida no trânsito.

Blumenau é hoje e vai fechar o mês de maio como o município brasileiro com o calendário de eventos e ações educativas e preventivas mais completo do Brasil. Tivemos pouco tempo para organizar tudo, poderíamos ter mais parcerias e mais patrocínios, mas ainda assim sobram motivos para comemorar.

Não está sendo fácil para os voluntários como eu, profissional liberal, que também estou na coordenação local e estadual do Maio Amarelo, conciliar a agenda profissional, familiar, acadêmica, sair correndo atrás de patrocínios e, muitas vezes, ter que tirar dinheiro do bolso para que muitas ações programadas sejam levadas adiante. Mas, a causa pela vida no trânsito é humanitária e todo o esforço se justifica.

Dificuldades à parte, principalmente quando um movimento como este nasce da sociedade organizada em parceria com o poder público, mais do que o esforço bem sucedido do voluntariado, isso mostra que o blumenauense quer ser incluído em campanhas educativas e preventivas para a segurança no trânsito. A população de Blumenau, tão acostumada a ser esquecida das ações educativas e preventivas de trânsito, até pelo pouco investimento e falta de efetivo para a educação no trânsito, se viu participante como nunca!

Outro marco importante foi a realização da campanha educativa Faixa de Segurança: a melhor amiga do pedestre, por iniciativa do poder público. A última tinha sido em 2008. Mas, nada se compara à inédita mobilização e engajamento da sociedade organizada no Maio Amarelo, na III Semana Mundial de Segurança do Pedestre (6 a 13 de maio) e Campanha Paz no Trânsito: faça a sua parte!

Para quem pensa que o Maio Amarelo acabou, engana-se. Maio é um mês inteiro de atenção para um ano inteiro de ações. Porque não podemos nos conformar e aceitar que perder tantas vidas no trânsito diariamente seja natural. Se cada um fizer a sua parte (sociedade civil organizada e poder público), nós podemos mudar essa história e salvar milhões de vidas.


Imagens: Reprodução